segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O manual da melhor amiga

Tenho consciência de não ter sido a adolescente mais fácil de lidar do mundo. Alguns (certo, muitos) até ririam do fato de eu usar o verbo no passado, mas repito pela trilhonésima vez que há uma diferença monstruosa entre os 15 e os 20 anos. Os teens se foram. Twenty. Vinte. Redondo, duas décadas. Pode ser pouco, mas alguma coisa eu já sei. E porque gosto de ser redundante, uma destas coisas é que não fui uma adolescente fácil.

Desde nova eu queria ser ouvida e compreendida. Hoje percebo a injustiça de exigir compreensão quando nem você mesma sabe do que está falando, mas pedir justiça aos meus idos 15 anos também não tem nada de justo. De todo modo, eu precisava falar, e não era pouca coisa. Era um pouquinho mais sensível, filosófica e chatinha que a maior parte da minha família, que passava por coisas demais para poder gastar tempo com o pensar só pelo pensar. Eu era da primeira geração dos que podiam apenas estudar e ser crianças, então tive o privilégio das reflexões infinitas. Desejava compartilhá-las e até tentava, mas a falta de entendimento por parte da galera de casa me machucava muito. Aí transferi para a do colégio.

Não me lembro de um ano escola, do 1º período até o 3º ano, em que eu não tenha tido uma melhor amiga. Desde a Thaís, menina gordinha que brincava comigo no recreio, passando pela Rayanne, que fazia festas de aniversário para suas bonecas, e chegando à Patrícia, com quem eu discutia Harry Potter. Eu tinha outras amigas, mas a necessidade de classificar uma como "melhor" era forte. A melhor tinha que me ouvir sempre. Aguentar meus julgamentos. Me pedir ajuda quando precisasse e saber que eu também estava ali. Dividir comigo suas confissões de paixões platônicas e tratar as minhas com o maior respeito. E já disse que tinha de me ouvir sempre? Então.

Acontece que eu sempre mudava de melhor amiga, porque qualquer coisinha que eu achasse meio contra a moral desclassificava a criatura para o posto. Um exemplo? Ficar com um garoto idiota. Ou melhor, que eu considerasse idiota. Mais um: ficar andando com uma turminha que eu considerasse sem futuro.Tanta, mas tanta coisa era fator de exclusão (serei justa: também havia alguns de reinclusão) que nem eu sabia quais eram todos. Como em inglês soa menos pior, podem me chamar de a little bitch.

Aí a escola acabou. Não havia mais uma fila de gente querendo ser minha melhor amiga. Entretanto, tinha gente querendo me conhecer e gostar de mim. Devo ter me assustado no início, mas depois veio um sentimento inesperado. Algo como liberdade. Existe desaperto? Invento agora: um desaperto no peito. Eu não precisava mais classificar ninguém num sistema estúpido que se transformava mais que o David Bowie. Podia contar com algumas pessoas mais ou menos, dependendo do momento. Felizmente há aquelas com as quais posso contar em mais momentos do que outras, mas se hoje sentir uma vontade de esfaqueá-la por um motivo qualquer, não é isto que vai me afastar e deixar de classificá-la como alguém importante na minha vida. Não amo ninguém todo dia. Parece que expandiu. Tem lugar para muita gente. Cada uma do seu jeito e sua necessidade, mas todas presentes.

A linda e maravilhosa moral da história é que só hoje percebi ter finalmente parado com aquele movimento louco de busca dos melhores amigos. Não sei nem o que é "melhor", já que estou revendo vários conceitos. Hoje posso pelo menos dizer que aquela coisa de ter que ser menininha-virgem-boazinha já não faz parte da lista, um grande avanço. Acho que já conheci muita gente incrível fora dessas características. E para todas aquelas que sofreram nas mãos da super julgadora little bitch, só posso pedir desculpas, apesar de não me sentir muito no direito de falar por ela. Mas, perdão, de todo jeito. Vocês foram grandes, incríveis e fabulosas melhores amigas.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Primeiras reflexões sobre saúde mental

Hoje cedo fui ao ambulatório para acompanhar as consultas dos pacientes com os psiquiatras. Acompanhei apenas uma paciente, que teve uma consulta bem longa e a experiência me fez pensar bastante sobre o conceito de saúde mental e o modo como as pessoas o encaram. Foram pensamentos simples, mas a gente tem que começar de algum lugar.

Vejam só, não sei falar bem destas coisas como tão competentemente o fazem alguns dos meus colegas de faculdade. Não sei dados, teóricos mais influentes, nada. Só o que percebo e sinto. E no momento, o que vejo está totalmente enviesado pela minha vivência enquanto estudante de Psicologia. No curso aprendemos a prestar uma atenção maior ao sofrimento humano e suas consequências. Estou começando a trabalhar num grupo que estuda o TEPT (Transtorno do Estresse Pós-Traumático), um transtorno de ansiedade que, resumidamente, teria três características principais: hiperestimulação autonômica, evitação e as famosas revivescências. Para dar um exemplo, imaginem que fulano A e fulano B foram assaltados. Assalto é algo que mexe com qualquer um, costuma deixar as pessoas mais prevenidas. Imaginem que os dois passaram por isto e ficaram abalados, mas o B teve uma reação diferente. Não consegue, de modo algum, passar pelo lugar do assalto e chegar perto de pessoas que se assemelhem ao assaltante. Está mais irritável, hipervigilante, se sobressaltando por qualquer coisa. Agora, o sintoma que considero mais instigante: o B fica revivendo o assalto como se estivesse ocorrendo. Não é simplesmente pensar quando se quiser. B está no meio da rua e sei lá, a buzina de um carro parecida com a que estava tocando na hora do assalto ativa toda uma rede que o coloca naquela situação outra vez.* A vida dele fica totalmente afetada por isto, não conseguindo mais desempenhar as atividades de antes. Pergunto: como vocês acham que uma pessoa desta consegue cozinhar, trabalhar, sair de casa? 

Muitas vezes não consegue, ou o faz com muito esforço. Mas não dá para ser como antes, tenho a impressão de que sua vida fica como que paralisada naquele acontecimento. Aí que entra todo o problema social. A doença mental não é vista seriamente. Sabem o famoso "ah, frescura!"? É bem por aí. O que mais ouço são as estagiárias relatando sobre como tiram sarro dos pacientes e diminuem sua condição. Este mundo é todo voltado para o visual, os cegos que o digam. E se você não pode estender seu braço para mostrar uma ferida ou apresentar o resultado de uma ressonância que seja, é como se o seu estado não fosse validado. Mesmo com a dor, o desespero e o sentimento de incapacidade. Se a coisa já é ruim no senso comum, tentem visualizar como é quando um profissional da saúde demonstra os mesmos preconceitos. Ouvi algumas histórias sobre como médicos do INSS não estendem as licenças dos nossos pacientes porque, bem, eles não tem nada. Se aquelas pessoas tremendo da cabeça aos pés e tendo lembranças intrusivas a todo momento não tem nada, sinto medo do que seria ter alguma coisa. A história se repete: são liberados para voltar ao trabalho e não aguentam um mês que seja, ou aguentam com muita coragem. Admiro muito os pacientes por isto. É demais para um ser humano.

Um dos comentários que mais me incomoda quando alguém diz que está passando por uma situação assim é "Ah, não fica pensando nisso!". A evitação que citei no exemplo é comportamental, mas os pacientes também evitam pensamentos. Segundo as pesquisas, quanto mais tenta-se suprimir os pensamentos, com mais força eles ficam. Ou seja, além de o sujeito aconselhar a pessoa a fazer algo que ela não consegue como se fosse a coisa mais simples do mundo, a estratégia ainda piora o estado dela. E muitas vezes nem é por maldade, mas desinformação proporcionada por um meio social que pouco se importa com a promoção de saúde mental.

Só que agora que tenho informação, não posso mais ficar com ela só para mim. Querendo ou não, vejo como meu dever ético compartilhar estas informações que considero tão importantes com o máximo de pessoas que puder. Se quem estiver lendo este texto acreditar em algo do que expliquei, mesmo que tenha sido de modo tão simplório, peço para que preste mais atenção ao seu semelhante e não diminua qualquer transtorno mental que ele tenha (acredite você ou não em transtornos mentais). Falei mais do TEPT porque é aquilo com que estou tendo maior contato agora, mas isto se estende até aquele "maluquinho" com quem as crianças  ficam implicando na rua de casa. Ter respeito já ajuda.

*Se algum psicólogo ou psiquiatra um dia ler isto e algo estiver errado, perdoem a pobre mocinha confusa do 7º período.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Uma conversa (nada) séria

Carolzinha: Nossa, como estou postando. Parece antigamente. A constância, a disciplina, a vontade de escrever sobre tudo o que está acontecendo. Talvez eu só precisasse dessas férias para recuperar o ânimo. Sim, era isto.

Carol: Mentirosa. Você sabe o que está acontecendo. 

Carolzinha suspira.

Carol: Você está com medo de Arth. Você tem medo de escrever sobre esses filmes mais "sérios" do cinema indiano, não porque não se sinta capaz, mas porque eles mexem tanto com você que a emoção se estende até a hora de escrever o post.

Carolzinha: E de onde você tirou isso?

Carol: Das suas lágrimas ao escrever o nome da Pooja, assim que lembrou de toda a luta dela por sua identidade. Da sua sensação de peso no coração ao pensar na Parveen Babi e em tudo o que deve ter sofrido.

Carolzinha: Como ficou sabendo?

Carol: Well, faço parte de você. E enquanto você chorava por pouco, alguém tinha que ter a força para escrever aqueles três parágrafos que estão prontos. E vim falar com você porque quero terminá-los. Não gosto de começar um texto e deixá-lo parado, pois o ânimo inicial se perde. 

Carolzinha: Arth é engraçado. Não teve sobre mim metade do impacto que imaginei, mas refletir sobre ele depois me deixou exausta. Estou com medo de ele ser um Junoon na minha vida.

Carol: Ok, agora entendi melhor. Junoon perseguiu até a mim, acho que não me exorcizei daquele filme até hoje.

Carolzinha: Está certo que nada é como Junoon, mas m...

Carol: É, nada é como Junoon.

Carolzinha: (...) mas mesmo assim, Junoon começou do mesmo jeito. Filme sério, nada muito apaixonante, achei até meio lentinho. Depois, semanas de perseguição mental. Ruth, Javed, Firdaus, Miriam. Se você me perguntar os nomes das pessoas dos filmes que vi ontem, não vou lembrar! Mas aqueles quatro não me deixaram por um bom tempo. E voltaram ontem, acredita? Não consigo parar de pensar neles. E nem quero aquilo tudo outra vez.


Carol: E você realmente pensa que vou deixar de escrever porque você não vai aguentar ficar pensando? Olha, você mesma fica repetindo que ninguém nunca disse que alguma coisa na vida seria fácil. Infelizmente você dificulta algo que deveria ser simples, mas lidemos com isto. E sabemos que você nem fica tão incomodada com essa perseguição de personagens. É bom guardá-los com você. E em Arth nem será um bando de gente, já que apenas a Pooja deixou você impressionada. Vale a pena arriscar. Eu até faria sozinha, mas fica mais legal com a minha objetividade e a sua pontinha de sensibilidade.

Carolzinha: Você tem razão. Tanta gente por aí sente tão pouco e eu reclamando de sentir extrema empatia por gente de filme. Vou ajudar você a escrever.


Carol: Ieeei, moça bonita! Mas preciso de um plano objetivo. Vamos tentar amanhã?

Carolzinha: Amanhã não dá...


Carol: Mas já tá dando pra trás?

Carolzinha: Não é isso, esqueceu que a gente tem que ler aqueles artigos pra quinta?

Carol: Vixi, é verdade! Na quinta à tarde, então?

Carolzinha: Combinado, Miss Prazo.


Carol: Antes Miss Prazo que Miss "Opa, Esqueci".

Carolzinha: Ok, até.


Carol: Carolê.

Carolzinha: Que éééé?


Carol: Wanna be my chammak challo? Ô-ô-ô!

domingo, 1 de janeiro de 2012

1/1/12

Passei uma virada de ano estranha. Pela primeira vez, minha família respeitou meus desejos e pude cumprir meus planos: ver uma comédia romântica, jogar The Sims 2, dormir. A estranheza está em realmente ter feito tudo o que queria e pela primeira vez sentir que essa coisa de novo ano não é tão incrível assim. Ou melhor, o novo ano é incrível, mas a noite, a contagem, a espera...nada disso me pareceu tão emocionante. Era só barulho.

O filme, uma droga. Sintonia de Amor, 1993. Pensei que não pudesse errar com Tom Hanks e Meg Ryan, mas o novo ano já chegou me ensinando que nem isso é certo (alguma coisa é?). Não conseguia dormir e ao invés de me forçar a fazê-lo, como todos os dias, me mandei enrolar até não aguentar mais e ter como única saída um desmaio monumental na cama. Nesta envelheci no TS2, bati papo em inglês (e notei que sou uma droga nisto), baixei um programa doido, dancei Beatles às 6 da manhã (Don't Ever Change!), contei pra mim em segredo o meu maior desejo para 2012, recebi um tweet da minha entrevistadora indiana favorita. Aí veio o sono.

Mais tarde, o mesmo de sempre: dor no corpo inteiro. Fiquei irritada com a constância da situação e decidi me utilizar da única arma que tinha: relaxamento muscular progressivo. Toda torta, insegura, sabendo que a respiração diafragmática não era daquele jeito, aí...meldels, está funcionando! Dei até uns pulinhos depois. É engraçado a primeira descoberta do ano ser algo que eu já sabia. Vou passar a prestar mais atenção nos conhecimentos que já tenho, talvez as soluções para vários problemas recentes estejam lá.

Sem filmes desde que troquei de HD, ia ver alguma coisa indiana para tirar o desânimo com cinema trazido pelo filme do Tom Hanks. Só que fiquei olhando...parecia que Meia-Noite em Paris estava me chamando. Nem sei por que baixei esse filme, mas finalmente ele estava me interessando. Arrisquei. Minha mãe chegou aos 17 minutos e viu comigo. Muito, muito amor. Amei a história, o roteiro, ri demais do Adrien Brody dizendo "Eu vejo um rinoceronte". Falo mais dele num daqueles posts sobre filmes e reflexões, gostei muito do último.

Aí mandei altas mensagens cheias de amor no Facebook, mas não vou contar muito sobre isto. Tenho vergonha de publicar nos murais das pessoas, então vou lá nas mensagens e escrevo um monte. É tão bom compartilhar coisas boas, gente.

E é isto. Sem moral da história, sem feliz para sempre. Na verdade, até que tem um final feliz: finalmente estou gostando/amando Woody Allen, meu corpo está o mais relaxado possível e estou pronta para voltar ao estágio. Já estou no clima de 2012.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Balanço geral e um olá para 2012!


Antigamente a gente fazia listas de metas para o novo ano aqui na comunidade blogueira. Era bem divertido, mas fui me desanimando com o tempo, principalmente devido àquela fase de falta de perspectiva que tive no início deste ano. Hoje senti vontade de não só voltar a compartilhar minhas metas aqui, mas de também escrever um pouco sobre o "balanço geral" que faço ao fim de cada ano. Acho que vai ser bom deixar registrado em algum lugar, já que meu pobre diário anda meio abandonado e já faz uns dois anos que perdeu o privilégio de ser o portador do meu balanço de fim de ano.

Não quero fazer lista. Prefiro ir contando o que aconteceu, como isto me afetou ao longo do ano e a influência que tem em minhas novas metas.


Para começar, meu estágio. Nada me fez mais feliz em 2011 que ele. É na área que eu queria, com a professora que eu queria e com a equipe que eu sonhava. Apesar de não ter tido muito o que fazer, acredito que meu desempenho poderia ter sido melhor: li mal os textos do grupo de estudos, que eram fundamentais. No próximo ano terei uma responsabilidade a mais, que é ajudar no artigo de uma das mestrandas. Não parece difícil, mas sei das proezas das quais minha preguiça é capaz e espero conseguir superá-la para poder ser de boa ajuda para a menina. A Psicofisio também deve começar a ter atividades e só eu sei o quanto acho aquilo complicado. Espero conseguir organizar meus horários para estudar bastante.


E uma coisa que espero ansiosamente mas também é um dos meus maiores medos vai chegar: apresentações em mostras e/ou congressos. Provavelmente terei de apresentar algo ao menos na Jornada de Iniciação Científica, e sinto náuseas só de me imaginar falando para uma banca julgadora. Na mostra de TCC, desafio também tenso: falar ao microfone para um auditório interessado. Me conheço e sei que desmaiarei vinte vezes antes, mas não deixarei de encarar nenhuma das duas possibilidades, caso se concretizem. Então, o que desejo é...sorte, muita sorte para mim. E coragem. 

Você está intimada a passar
mais um ano com a gente!
Bollywood. Estou legendando um filme chamado Ra.One e há uma espécie de piadinha nele sobre o coração ser a maior força e também a maior fraqueza dos personagens. Bollywood é meu coração. Ao mesmo tempo em que me deixa mais questionadora, curiosa e me põe mais em contato com pessoas, o tempo que gastei vendo/lendo sobre filmes indianos em 2011 foi além do absurdo. Legendei onze filmes e meio (uma legenda foi dividida com uma amiga), escrevi 34 resenhas, vi 113 filmes, li blogs quase diariamente. Sei que isto não é saudável, mas a coisa só piorou desde que conheci a velha Bolly. Além de me manter ciente do que está acontecendo na nova, quero ver tudo de antigamente. E sinto que piorará mais agora que conheci melhor as outras indústrias de cinema indiano:  Kollywood, Tollywood, Punjwood. O ano ainda nem acabou e já estou sonhando com Talaash (Aamir, Bebo e Rani), o novo do Shahrukh dirigido pelo Yash Chopra e tendo a Katrina ji como mocinha, a volta do Saifu em Agent Vinod, o novo do Ayan Mukerji. Ou seja, já comecei a me ocupar antes do tempo. Não sei como, mas preciso parar um pouco com isso. Sei que é amor demais, mas 2012 será meu penúltimo ano de faculdade e preciso acelerar um pouco meu crescimento profissional. 

Pensei agora que a melhor solução é desacelerar em uma das duas frentes: blog ou filmes. Sinto que meu pobre bloguinho (o Deewaneando) será o mais sacrificado. Não tem problema, já que o único fim dele é a diversão, não pode me atrapalhar. Ah, uma pequena observação: acabei de fazer aquelas "estatísticas" do parágrafo anterior, nem eu tinha notado o quão intenso meu ano tinha sido, bollywoodisticamente pensando.

Ainda no assunto blogs, estou muito satisfeita com o Eu Desatinei em 2011. Dando uma olhada por cima no arquivo, neste ano não fiz muitos posts, porém a maioria deles tinha um conteúdo mais significativo que os do ano passado — que foi repleto de posts com uma linha e poucas explicações. Gostei muito de dois em particular, o Perspectiva, cadê? logo no início do ano e mais tarde, o Agora, com vocês: meus novos sonhos!. Não os acho sensacionais, mas para mim é muito bonito ver registrado a passagem de uma pessoa sem chão em janeiro para outra que estava feliz descobrindo para onde ir em julho. 




A parte ruim foi não ter conseguido passar muito tempo nos blogs das minhas amigas, especialmente nos da Nina e da Carlinha, dos quais já perdi tanto. Seria muito fantasioso da minha parte dizer que lerei todos os posts em 2012, mas vou me esforçar para ler pelo menos uns dez posts, poxa. Sinto saudades.

Achei essa imagem no PC e ri.
Relacionamentos...hehe. 20 anos e nunca tive nada além de uma relação platônica com o George Clooney. Quanto a isto, não tenho o que planejar e nem saberia como fazê-lo. Não entendo a lógica dos relacionamentos, mas acredito que ficar planejando "pá, nesse ano vou namorar!" não dá certo. Tem que estar lá, deixar rolar, ver no que dá e quem surge. E eu nunca me dei este tipo de abertura para deixar acontecer. Continuo não sabendo o que fazer e ainda acho que nada vai acontecer, mas vou ficar olhando. Já é muita coisa eu ter passado da menina do "amor para toda a vida" para a do "uma vida e tantos amores quanto nela couberem!". Não estou num momento pa-pa-party everyday, mas acho que as pessoas realmente devam se divertir. A vida é só esta aqui e isto já é coisa pra caramba! 


Li pouco em 2011, comparado ao número de livros de literatura que lia antes. Só que não acho mais que isto seja um problema, como pensava há pouco tempo. Li muitos blogs, eles também tem muito valor. Também li artigos científicos, textos de disciplinas, notícia de jornal, tweets...ao invés de me culpar por "ler pouco", expandi meu conceito de leitura. Dá para aprender alguma coisa em todo lugar, e eu sei bem o quanto aprendi lendo blogs. O Escreva Lola Escreva, por exemplo. Talvez tenha sido a leitura de maior impacto na minha vida este ano ("TALVEZ?", diria minha mãe, saturada de conversas sobre machismo). Para vocês verem: depois de muito medo inicial, comecei a me assumir uma pequena feminista e a me sentir tão mais livre! Antigamente eu pensaria "Nossa, esse blog é tão bom! Por que não é um livro?". Agora penso: "Nossa, tem tanta gente boa escrevendo por aí! Onde posso encontrar mais boas indicações de blogs para ler?". Expandir, expandir...

Um ponto muito ruim de 2011 é que fui muito impaciente com minha família e sinceramente, não acredito que vá conseguir mudar muita coisa em 2012. É tanta desorganização, desespero, repetição de erros de anos...tudo que não suporto. Só que ao invés de ir lá, reclamar e tentar montar soluções, como venho fazendo há anos, pela primeira vez deixei para lá. Ando tão cansada fisicamente, sentindo tantas dores, sabem? Comecei a achar injusto ter de compartilhar de tanto peso desde tão cedo, peso este que poderia ser aliviado com esforço, organização e muita paciência para fazer as coisas mudarem. Já me enrolaram até quando eu nem sabia o que estava acontecendo, criando complicações que não consigo resolver até hoje. Por pouco tempo que fosse, eu queria ficar na minha. Em paz, dormindo e cuidando das minhas questões. Ouvi que sou egoísta, anti-social, só faltava dizerem que sou ingrata. Não foi legal ouvir este tipo de coisa, não. Já chorei. Mas, diferentemente de antes, não foi muito. Só sei que no sacrifício e esforço, estou fazendo minha vida mudar e meus planos acontecerem. Nada disto seria possível sem a ajuda deles. Só queria que percebessem que toda a força que me dão pode se voltar para suas próprias vidas, que as coisas também podem dar certo para eles. Não sei o que vai ser da gente em 2012.


Meus amigos: eu os adoro, todos sabem. Mas, exceto pelo Pedro, por  Klô e pela Izabel, não tive um ano dos melhores com o resto. Mal vi a Flávia, já que agora a maioria das matérias que fazemos é eletiva e ela vai para as suas teorias psicanalíticas enquanto abraço minhas TCCs. E sinto uma falta dela! É uma das minhas poucas amigas que não só entende, como compartilha do meu humor estranho. Minhas amigas da escola, a mesma dificuldade. A que mais magoa não só a mim, como a todas as outras, é Beu. Ela não apenas sumiu, como não faz a menor questão de demonstrar um pouco de presença que seja quando a oportunidade se apresenta. Mal responde nossos recados, e toda vez que se lembra de nós, é para falar do passado, de "como éramos felizes". É dela que mais sinto falta e acho que vai ser assim pra sempre. É minha melhor amiga, era de se esperar que doesse tanto. O Felipinho foi alguém em quem quis dar um tiro às vezes (credo, eu sei) e nem é tão meu amigo, mas desejo que consiga atingir uma sensibilidade maior para com os outros e consigo mesmo. Eu também já fui meio robótica como ele e o problema me parece ser falta de afeto, de deixar-se levar uma vez ou outra. Se ele não tivesse tanto medo de perder o controle e deixar de ser tudo aquilo que considera como bom, veria que há muito mais na vida do que ler tudo para entender as pessoas sem delas se aproximar. Espero, de todo o coração, que um dia ele consiga ver mais.

Com a Isa não tive um ano muito difícil, mas bem afastado devido ao vestibular dela e meu estágio.  Ressignificando, foi até um ano bom com ela. Parece que nossas conversas cresceram depois do episódio "você cria as coisas sem mim, sai do status quo e eu quero tudo como sempre foi". Estamos aceitando mais que as coisas mudam e a gente tem que encarar essas mudanças de frente, ver o que podem trazer de bom. O Ibirá, tadinho, desapareceu tanto que aconteceu o mais perigoso em uma amizade: deixei de sentir saudades, realmente me acostumei à ausência. E confesso que nem estou incomodada, só constatando os fatos mesmo. Me apeguei muito à Lilian e à Jo, minhas companheiras da "janelinha" e moderadoras lá da comunidade de cinema indiano no Orkut. Como disse a Jo, sempre há uma resposta. Uma nunca deixa a outra na mão. Vou parar de falar disso ou começo a chorar em breve, hahahahahah! Estou muito emotiva hoje.

Para 2012: preciso fazer novos amigos, talvez na "vida real". Como pretendo continuar extremamente caseira, nem sei como isto vai acontecer. Talvez eu comece a andar mais pelo campus, ver o que e quem tem por lá. Na internet, estar presente para os meus amigos. E quem me ensinou a importância dessa presença foi a Jo.

Ufa! Estou cansada, meu plano não era fazer um post tão longo. Foi uma análise de ano mais profunda do que eu esperava, estou me sentindo tão "descarregada", como dizem alguns! 2012 pode ser o ano em que o mundo acabe (hehe), mas reparei que não tenho medo de as coisas terminarem repentinamente. Gosto de quem sou, do que vivi, de quem conheci, dos lugares por onde passei. Tive muita sorte nesta vida por ter nascido em uma família que me ama tanto e por ter amigos que não se importam apenas com minha opinião, como também com meu bem-estar.  Não dá para ser feliz completamente e acho que eu nem gostaria disso, já que a tristeza — mesmo que por coisas bobas — me ensinou bastante. É claro que tudo poderia ser melhor (principalmente no lado financeiro!), mas prefiro dizer que poderá. Minha vida não acabou e vou usar de tudo o que eu tiver para fazer dela melhor e cumprir meus objetivos — alguns, em andamento há tantos anos. Às vezes ficamos por aí dizendo aos outros que podem contar conosco, o que é bom. Mas bom também é um exercício que faço: deixar claro a mim que também posso contar comigo, que estou aqui por mim. Main hoon na.

Ná, não canso desta imagem! 

Um ótimo 2012 para todo o mundo!

domingo, 4 de dezembro de 2011

A exaustão do fim

Chegou aquela fase do ano em que ou entro em férias logo ou me tranco no meu quarto e me recuso a ir para a faculdade. É muita exaustão.

Tenho muito medo quando chega este momento devido aos efeitos que pode causar nos meus amigos. Eu os aprecio muito e nesta hora não consigo oferecer nenhum apoio a eles, seja este emocional ou mais concreto. Minha cabeça dói quando começam a me contar qualquer história e toda vez que me dizem o que devo fazer em algum trabalho, fico com vontade de arrancar cabeças. Esta última parte é a pior, porque sei que em trabalhos as outras pessoas estão dependendo de mim e vem um dos piores sentimentos da face da Terra: a culpa, esta maldita. O que é que vou dizer para eles? "Não posso fazer tanto quanto vocês porque estou em estado de exaustão de fim de ano"? Claro que não, porque sei que eles também estão sofrendo. E sei bem! As olheiras deles estão mais profundas, seus ombros mais caídos, seus assuntos mais perdidos, estão mais irritados. Todos estão passando pela onda de cansaço, jamais terei a cara-de-pau de dizer que a minha chega um pouco antes. Mas é horrível não querer sair da sua cama e passar o dia pensando no momento em que voltará para casa.

Essas são as dores de crescer. Você não pode mais simplesmente chorar, correr pro colo da sua mãe e dizer que não quer mais. Está cansadinha? Bem, todos estamos. Esta é a vida, a diferença é que você não sabia disto. Acostume-se com a exaustão, bonitinha. Welcome to capitalism.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A professorinha e os aluninhos

Era uma vez, uma professorinha que seguia uma teoria. Quatro aluninhos seus seguiam uma coisa bem diferente, mas o mundo é feito de diferenças. Seus aluninhos conseguiram entender a teoria da professora buscando analogias com a sua teoria e acharam muito legal.

Um dia, a professorinha pediu um trabalho sobre sua teoria, a teoria A. O tema era semi-aberto: você poderia falar sobre o que quisesse, desde que relacionasse tudo com a tal teoria. Os aluninhos pensaram em fazer sobre algo de que gostavam e refletiram: "Ei, por que não dividir com a professorinha a nossa experiência de unir as teorias?". Assim, os quatro aluninhos escreveram um trabalho mostrando como a teoria A e a B tinham uma coisa ou outra parecida.

A professorinha corrigiu e deu 2 pontos valendo 3. Entretanto, mandou os aluninhos refazerem o trabalho. Por quê? Porque eles não tinham cumprido a proposta e o trabalho não tinha nada a ver. Mas receberam 2. Por fazer o errado.

Parece que o mundo não foi feito para fazer sentido. E nem esta história.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Notas de uma menina felizinha que quer continuar assim

De um certo modo, vivo em paz. Lido com a faculdade como posso, mantenho minhas poucas amizades com tranquilidade, até minhas dores físicas estão me incomodando menos. Vejo meus filmes, leio meus livros, faço meu estágio...vidinha pacata. Chata para alguns, mas sempre me deixou bem.

Por favor, não mexam nisso. Não me estressem por nada, não reclamem só por reclamar, não toquem na minha saudável homeostase. Só quero continuar sendo felizinha em paz, que não estava fazendo mal a ninguém :(

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Só pra não dizer que não vim aqui.

Minha pequena, minha lindinha...parabéns pelos 20 anos!

Feliz aniversário pra mim :)

quinta-feira, 3 de novembro de 2011