terça-feira, 26 de outubro de 2010

Por que?³

Por que a universidade pública é tão afastada do público? Por que tenho que ficar em discussões sobre como a sociedade deveria/poderia ser ao invés de falar do que ela é e do que posso fazer por ela? Por que discussões sobre algo que vejo todo santo dia - gente - sempre chegam a pontos tão cheios de falas difíceis que sinto não estarem mais falando de algo concreto? Eu sou tão burra assim?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ah, Psicanálise


Aqui colocando os arquivos do Don (filme) no Megaupload, ouvindo Alisha Chinai toda sexy no touch me-don't touch me - don't touch me soniye, enrolo para ir ao estágio. A preguiça é antiga companheira da pessoa que aqui escreve.


Não é apenas preguiça de sair de casa logo em dia sem aula, é um pouco mais complicado: meu estágio é todo baseado em Psicanálise. Discutimos o trabalho de campo com base em Psicanálise, nossos textos do grupo de estudos são de Psicanálise, nossas supervisoras são psicanalistas. O pequeno problema é que não suporto Psicanálise.

Certo, não é não suportar de modo algum...até que consigo ler as coisas normalmente e falar do assunto. No início do ano eu até estava gostando bastante, mas agora não aguento nem a perspectiva de ouvir a palavra Freud. Tenho que estudar Freud às segundas, terças, quartas e quintas. É muito tempo próximo de algo de que não se gosta, não? Poxa, até que tenho motivos para reclamar.

E Freud fica tão chato em uma certa hora, gente. Não acho que ele disse coisas inúteis, até entendo com muito do que disse, e mais do que isso: acredito em muito. Só não quero lidar com Psicanálise na minha vida profissional, e estar numa faculdade que prioriza isso é muito frustrante. Ao menos lá no estágio tenho as crianças para fazerem meu dia menos chato (e mais mágico), mas no dia de supervisão é chato passar a vida com Freud.

Ando gostando de Piaget e Vygotsky, que são meio opostos. Não me preocupo com isso, até tirei algo dessa preferência: gosto de autores mais objetivos, que não pareçam estar falando grego. É tanta Psicanálise todo dia na minha cabeça que estou me sentindo até um pouco culpada por estar escrevendo tudo isto. Na terça passada eu estava contando a um rapaz lá da faculdade que não gosto de Psicanálise e que gosto de Psicologia Cognitiva, ao que ele - até sorrindo - respondeu que gosto de algo que é realmente eficaz, mas que não é Psicologia. Sinto que ele não estava aceitando bem o fato de eu não gostar de Psicanálise, talvez pensando que eu tinha recalcado alguma coisa, ou sei lá o que. Eu deveria ter dito a verdade: acho que nunca gostei, só considerava divertido enquanto não sabia bem o que era. Passada a fase da descoberta, cansei. Ponto.

Vou lá arrumar minha roupa, acho que vou me atrasar...e nem fiz o relatório da creche. Na verdade, ainda não fiz nenhum neste semestre. Vergonha, Carolyne.

Cai fora, pô.


Minha música dos últimos dias:


Ó companheeeeeeeeeeeeira, não sei viver sem vocêêê

Até!

domingo, 3 de outubro de 2010

O primeiro voto

Hoje irei votar pela primeira vez. Estou sentindo um frio na barriga e animação, que só são intensificados pela chuva que agora cai no Rio.

Gostava muito de política quando era criança e também quando adolescente. Eu assistia tanto horário político na infância que às vezes havia uma brincadeira na família de ficar me perguntando os números de todos os candidatos, pois eu sabia quase todos de cor. Minha mãe sempre me levava para votar junto com ela e eu me sentia muito importante ao teclar os números na urna eletrônica, principalmente porque minha mãe sempre me ouviu antes de decidir seus votos. Esperava ansiosamente pelo dia em que eu poderia votar por mim mesma.

Por mim eu teria tirado meu título aos 16 anos, mas por algum motivo desconhecido, minha mãe não permitiu. Até hoje ela não me diz porque, mas creio que ela só não queria que eu tivesse de me deslocar. Assim que fiz 18 me tornei eleitora, mas não havia mais em mim aquela animação de antes. Tive muitas desilusões políticas já novinha, e elas tiraram muito da graça daquele momento que seria tão importante para mim. Em 2010 não assisti a nenhum horário político e nem pesquisei sobre os candidatos, como sempre planejei fazer para o meu primeiro voto. Simplesmente olhei a lista de candidatos para todas as vagas e fui riscando quase todos. Senti tristeza enquanto fazia isso, mas me parecia o correto. Nunca quis anular meu voto por acreditar que ainda há muita gente que não recebeu sua chance de tentar mudar o que temos, e é gente com a ficha limpa. Ainda assim, duas opções minhas irão para a legenda: um dos senadores e deputado estadual.

Até agora não estou satisfeita com os candidatos ao senado do Rio de Janeiro, mas tem um que ultrapassa isso: ver seu nome na lista me dá náuseas. Um ou outro eu poderia até escolher por ser "menos pior", mas minha desilusão com a política não conseguiu me jogar nesse nível de pensamento. O primeiro critério que usei para decidir todos os meus votos foi o do partido, depois vinha a pessoa. Hoje olhei minha lista final e só havia dois partidos nela. Revolucionários, até - ou talvez. Se podem fazer alguma coisa, não sei...nunca lhes deram a chance. Não estou satisfeita com o que temos hoje, então pensei que seria bom fazer parte do time que está tentando lhes dar essa chance.

Mesmo não sabendo mais o que está acontecendo e o que estão propondo, sinto paz pelas decisões tomadas. Espero voltar a sentir vontade de estudar política nas próximas eleições. Até lá, só digo aos candidatos escolhidos que sinto orgulho em dar meu primeiro voto a eles.

Até mais!