domingo, 3 de outubro de 2010

O primeiro voto

Hoje irei votar pela primeira vez. Estou sentindo um frio na barriga e animação, que só são intensificados pela chuva que agora cai no Rio.

Gostava muito de política quando era criança e também quando adolescente. Eu assistia tanto horário político na infância que às vezes havia uma brincadeira na família de ficar me perguntando os números de todos os candidatos, pois eu sabia quase todos de cor. Minha mãe sempre me levava para votar junto com ela e eu me sentia muito importante ao teclar os números na urna eletrônica, principalmente porque minha mãe sempre me ouviu antes de decidir seus votos. Esperava ansiosamente pelo dia em que eu poderia votar por mim mesma.

Por mim eu teria tirado meu título aos 16 anos, mas por algum motivo desconhecido, minha mãe não permitiu. Até hoje ela não me diz porque, mas creio que ela só não queria que eu tivesse de me deslocar. Assim que fiz 18 me tornei eleitora, mas não havia mais em mim aquela animação de antes. Tive muitas desilusões políticas já novinha, e elas tiraram muito da graça daquele momento que seria tão importante para mim. Em 2010 não assisti a nenhum horário político e nem pesquisei sobre os candidatos, como sempre planejei fazer para o meu primeiro voto. Simplesmente olhei a lista de candidatos para todas as vagas e fui riscando quase todos. Senti tristeza enquanto fazia isso, mas me parecia o correto. Nunca quis anular meu voto por acreditar que ainda há muita gente que não recebeu sua chance de tentar mudar o que temos, e é gente com a ficha limpa. Ainda assim, duas opções minhas irão para a legenda: um dos senadores e deputado estadual.

Até agora não estou satisfeita com os candidatos ao senado do Rio de Janeiro, mas tem um que ultrapassa isso: ver seu nome na lista me dá náuseas. Um ou outro eu poderia até escolher por ser "menos pior", mas minha desilusão com a política não conseguiu me jogar nesse nível de pensamento. O primeiro critério que usei para decidir todos os meus votos foi o do partido, depois vinha a pessoa. Hoje olhei minha lista final e só havia dois partidos nela. Revolucionários, até - ou talvez. Se podem fazer alguma coisa, não sei...nunca lhes deram a chance. Não estou satisfeita com o que temos hoje, então pensei que seria bom fazer parte do time que está tentando lhes dar essa chance.

Mesmo não sabendo mais o que está acontecendo e o que estão propondo, sinto paz pelas decisões tomadas. Espero voltar a sentir vontade de estudar política nas próximas eleições. Até lá, só digo aos candidatos escolhidos que sinto orgulho em dar meu primeiro voto a eles.

Até mais!

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