quarta-feira, 6 de junho de 2012

Hora de me pensar

Escrevo diários desde 2006. Antes escrevia quase diariamente, agora é lucro se apareço uma vez por mês. Porém, há uma atividade iniciada com meus diários que nunca abandono: minha auto-reflexão de fim de ano. Ela não precisa ser necessariamente no diário, já até fiz algumas aqui ou apenas fiquei deitada pensando. Reflito sobre tudo o que fiz e aconteceu comigo, se estou satisfeita, o que poderia melhorar, etc. Ao fim do ano passado, que foi dificílimo, estava feliz comigo mesma e tinha muitos  planos para 2012. Já 2012 está tão diferente que o processo de me pensar já começou agora, no meio do ano.  

Não quero e nem vou citar nomes e fatos, apenas resumir o que vem ocorrendo: as pessoas estão se decepcionando comigo. Já sentiram raiva de mim na escola, mas não foi nada intenso. Já me acharam várias coisas. Mas decepção é uma coisa rara. Na verdade, tem muita coisa que ainda não experimentei dos outros em relação a mim por ter vivido uma infância e também uma adolescência focadas demais na minha vida adulta. Sendo assim, tive contato com poucas pessoas. Não consigo lembrar de um momento anterior em que havia tanta gente decepcionada comigo. E olha, está sendo difícil de lidar. São decepções por motivos diferentes e venho analisando tudo minuciosamente. Errei feio em uma delas, mas ao mesmo tempo senti um fundo de incompreensão do outro lado que não parece que vai sumir tão cedo. Na outra situação, a inflexibilidade da outra parte é tão assustadora (infinitamente mais que na primeira) e há uma interpretação tão torta das coisas que nem sei se um dia poderá ser resolvida. Na duas, concluí que há partes em que tenho razão e outras em que não. Só que não sei o que fazer a partir disto. É uma sensação assustadora. Quebrei a confiança total das pessoas, ou foram só expectativas pontuais com relação a mim? Já que não são amigos próximos e não dá para abordar o assunto, o que é que eu faço? Como ajo com essas pessoas a partir daqui? Tudo vai mudar? Virei outra pessoa aos olhos delas?

No meio deste processo de conhecer a decepção do outro, acabei descobrindo um novo nível de sensibilidade em mim. Não conseguia dormir direito, pensando e repensando sobre tudo isso por horas a fio, até pegar no sono. Chorei onde pude e onde ninguém pudesse ver, tentando me esvaziar desse peso todo. Gastei todo o meu tempo de terapia tentando me deixar convencer pela minha psicóloga de que meus pensamentos estavam distorcidos. Deixei de estudar coisas que amava e que não amava por não conseguir focar minha atenção nos textos por cinco minutos que fossem. Escrevi, escrevi, escrevi. Nas notas do celular, no registro de pensamentos, no diário, em inboxes do Facebook, aqui. Pensei bem mais do que escrevi. E não me abandonaram totalmente aqueles malditos pensamentos de que eu era horrível, de que não merecia a confiança das pessoas, de que não merecia nem que alguém gostasse de mim, de que as pessoas estavam me mostrando o que eu não sabia - que não apenas estou, mas sou toda errada -, de que eu deveria apenas ficar quieta no meu quarto.

As piores coisas de tudo isto são saber que isto é ó um drama desta minha cabecinha repleta de pensamentos disfuncionais e que as pessoas não devem passar nem um terço do tempo que gastei sem dormir por isso pelo menos pensando sobre o ocorrido. Isto tudo foi uma pedrinha em seus caminhos e uma montanha no cotidiano da recém-coroada Miss Sensibilidade 2012. Pela primeira vez em muito tempo, eu queria voltar no tempo e fazer diferente, pelo menos em uma das situações (sei que não mudaria nada na outra). Não que isto fosse mudar os problemas mais profundos que ela trouxe à tona, mas pelo menos eu poderia acordar sem pensar nessa bobagem toda e já me sentir triste desde o primeiro minuto do dia, não? Eu já era evitativa, agora estou começando com essa mania de fuga.

Apesar de ainda não estar lá muito bem, estou feliz por estar começando a pelo menos sair daquele estado de não querer levantar, sair, pensar ou comer direito. Vou ter de confessar que fiquei assustada comigo e senti medo por mim. ''Se perdi a vontade de fazer qualquer coisa por algo tão pequeno, como vou ter forças quando acontecerem coisas maiores?''. É, ainda não sei. Conhecer as pessoas de verdade sempre vai me reservar surpresas.

2 comentários:

Carla Rosso disse...

Andei passando por isso também,mas acho que quando a gente para de se culpar fica mais fácil. Todos passam por fases de transição, ninguém é a mesma pessoa pelo resto da vida e quem te ama precisa entender isso.
Tudo muda o tempo todo...
Beijos Carol!

Carol disse...

Agora já entendi melhor isso, Carlinha. Entendi que não sou a pior pessoa do mundo e que não devo julgar quem eu gosto por uma única situação. Quem gosta de mim também não deve fazer isso.