domingo, 16 de outubro de 2011

Amigos Paginados

Estou lendo dois livros. Um se chama O Amor, escrito por Dominique Fernandez, e o outro é Terapia Cognitiva - Teoria e Prática, escrito pela Judith Beck. Leio o primeiro para não me desacostumar com literatura e o segundo é para o estágio e minha carreira. Apesar de andar faltando tempo para isto no meio de tanta coisa para fazer e tanto trânsito para encarar, amo ler. Tenho uma relação pouco saudável com os livros na qual considero-os meus melhores amigos. É mais fácil eu lembrar dos sonhos de uma personagem de algum livro da Danielle Steel do que da frase que a minha melhor amiga acabou de dizer. Os livros são lidos no meu tempo, nos lugares que quero, nos momentos em que sinto vontade e posso largá-los se estiverem chatos sem medo de ferir seus sentimentos. Ou seja, paraíso do meu egoísmo.

  
Eu estava lendo a biografis dos meninos
e Os Três Mosqueteiros na mesma época.
No fim de 2009 ganhei a biografia dos Beatles (a do Bob Spitz) como presente de Natal. Ela tem quase ou mais de mil páginas e eu certamente demoraria um longo tempo para lê-la, mas passei quase todo o janeiro de 2010 sem internet, então consegui terminá-la em um mês. Lia-a até de madrugada, e foi numa dessas que notei pela primeira vez o quão estranha minha relação com os livros eram: abracei a minha Bíblia beatlemaníaca para dormir. Mais estranho ainda foi não ter sido a primeira vez que fazia aquilo, mas sim a primeira vez que notei esta mania. Quando abraço meus livros, parece que estou mais perto de todo o mundo que está lá dentro. E é por isto mesmo que só abraço os que gosto, ou seja: nada de envolver O Grande Gatsby nos meus braços. Estava cursando Fisiologia I na época em que lia This Life, a autobiografia do Sidney Poitier. Terminei de lê-la pouco antes do início de uma aula e céus, eu deveria ter esperado acabar a aula para fazer isto! Lá estava eu, tentando abraçar o livro discretamente e me despedir do meu amiguinho enquanto o professor falava da permeabilidade seletiva da membrana plasmática.

Já disse que agir assim não é saudável, tenho consciência disto. Antes eu pensava que fosse relacionado ao fato de eu ter poucos amigos ou ser pouco aberta a eles, mas agora estou muito bem de amigos e continuo nesse carinho todo com meus livros. É apego mesmo. Consigo imergir em um livro muito facilmente, diria até que o livro consegue imergir em mim. E não é uma ligação material, já que apesar de dizer o contrário, empresto meus livros a quem quiser e nem reclamo quando os devolvem em estado de semidestruição. É só o meu conceito de amizade que é um pouco diferente dos de outras pessoas, com amigos paginados sendo possíveis.

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