quinta-feira, 10 de março de 2011

A casa dos 7 anos

Quando tinha uns 7 anos, me deitava na cama à noite e bem antes de dormir, ficava pensando em tudo o que eu mais queria na  vida. O devaneio sempre se passava no mesmo lugar: minha casa de quando eu fosse adulta, com meu marido médico e meus quatro filhos. Às vezes eram dois filhos, mas a época dos quatro durou muito tempo. Nunca pensava em festas, em agito, em qualquer lugar fora da minha casa. Se eu devaneasse na segunda sobre um dia em que eu estaria cozinhando, na terça, eu estaria brincando com as crianças, na quarta, a família estaria vendo algum filme...era sempre algo assim, muito familiar e simples.

Lembro que a minha cozinha tinha sempre um tom meio amarelado, porque eu sempre a imaginava à noite, quando as luzes estavam acesas (pelo jeito, não havia lâmpadas econômicas lá). Eu tinha um modo infalível de manter a cozinha arrumada: enquanto ia cozinhando, as crianças iam lavando a louça (só em devaneio mesmo). Nós ficávamos conversando enquanto isto. Eu tinha uma profissão, que, é claro, mudava de acordo com meus desejos infantis. Acho que era professora ou escritora na maioria das vezes, e me sentia muito cansada do trabalho. Falei sobre meu marido ser médico, mas não havia nenhum motivo específico para isto. Tenho até mesmo a clara lembrança de quando escolhi a profissão dele! Pensei "Huuuum, qual será a profissão do meu marido? Ah, médico é legal". Não conhecia tantas opções quando era mais nova, sóri. Meu marido não tinha um tipo físico definido, mas tinha uma personalidade ótima. Era engraçado, bom pai, bom profissional e menos estudioso do que eu, mas muito mais inteligente. Ele era divertido, apesar de termos nossas brigas ocasionais. Quanto aos meus filhos, eram mais divertidos ainda! Uns eram mais extrovertidos que outros, mas todos tinham um forte lado caseiro. Brincavam sempre, sempreeeee! Era o que me fazia feliz, então faria qualquer criança feliz.

Aqueles momentinhos de sonho antes do sono eram uma das partes que eu mais gostava do meu dia. Só acho engraçado quando a gente cresce, esquece daquilo tudo que um dia nos foi tão importante e leva um susto quando lembra! 

Ainda estou em férias, volto às aulas na segunda-feira. Sempre faço meu balanço de férias, assim como os de muitos outros momentos (aniversário, final de ano, novo período, tudo é motivo para balanço). O saldo dessas férias foi muito positivo, mas eu não entendia por que estava me sentindo tão feliz, já que só fiquei em casa rindo com minha família e vendo dezenas de filmes. Foi então que voltou a lembrança daquela minha família dos 7 anos, e ficou claro que, nestas férias, apenas fiz o que sempre soube que gostava de fazer (deu para entender, sei que deu!). Eu prestava muito mais atenção em mim quando era mais nova!


Um comentário:

Nina disse...

Entao tá na hora de se ver de novo! olhar mais dentro de si mesma.

Eu tava lendo esses teus posts no readers do google, achei td mt bem escrito, Carol, e esse aqui eu adorei porque as descricoes dos teus sonhos sao mt detalhistas, mt mt mt bonitas.

E totalmente realizáveis :-)

um bj grande menininha!