sexta-feira, 23 de julho de 2010

A casa alheia e o blog alheio

Às vezes eu acordo de manhã e me sinto triste por perceber que não estou em casa. Parece que eu estou num quarto todo branco, numa casa toda branca onde as pessoas andam de branco e eu estou vestindo outra cor. As roupas dentro do guarda-roupa não são as minhas, os sapatos espalhados não são os meus, a música alta não é a minha.

Para o tipo de pessoa que eu sou, o mais difícil é a necessidade constante de não dar trabalho. Se não estou com fome e minha tia quer que eu coma, eu o faço para que ela não se magoe. Eu estou na casa dela e sou tratada como mais que uma filha, não posso ao menos fazer algo tão pequeno por ela? Sempre faço concessões às pessoas, mas era mais legal fazê-las porque eu sentia vontade e não por achar que é minha obrigação. Isso me faz sentir uma pessoa má. Ao menos a sensação não é constante.

É egoísta ficar pensando nessas coisas todas, mas entrei num momento de aceitar que o egoísmo também faz parte de mim(ô fase difícil). Sendo assim, não consigo deixar de pensar que se alguém quisesse me dar qualquer coisa do mundo hoje, eu pediria um daqueles dias em que eu ficava em casa sozinha dançando Deewangi Deewangi em alto volume. Depois eu poderia voltar pro agora, só precisava de um pouquinho daqueles momentos.

Bá, nem estou mais triste agora. Esse que é o legal de escrever (comendo pipoca), vai me deixando mais leve (emocionalmente, claro). Aliás, estou voltando para o tal estado de graça do qual "falei"(post estranho, não?) da última vez. As férias me fazem um bem absurdo, ainda mais quando combinadas a atitudes superbonitaseuhuul dos meus amiguinhos. Aliás, nesse processo todo de mudança de casa todos os meus amigos foram absurdamente importantes, tanto os da internet quanto os da "vida real"(oi?). Numas horas de tristeza forte que vem do nada, o telefone toca e é Klô. Passamos umas 3 horas(sério) conversando sobre qualquer coisa, depois passamos a falar sobre as saudades da escola e no fim eu fico feliz, leve. Minha tia sempre percebe minhas mudanças depois que falo com meus amigos, acho que ela vê que pareço mais calma. Bom, eu acho.

Com o pessoal da internet é mais tenso porque ando com vontade de vê-los e não gosto de querer isso(eu sou ridícula, olá). Quando tudo ainda está no nível do "estamos na internet, fiquemos na internet" eu me sinto na minha zona de segurança e tudo está bem. No nível "estamos na internet, mas por que só na internet ?" que me ataca às vezes mora o perigo. Tem que tomar cuidado para não se deixar levar totalmente pelas emoções, gente. É a situação mais fácil de cair, mas traz as consequências mais devastadoras e é a mais difícil de sair.

Eu realmente gostaria que alguma pessoa que passasse por aqui entendesse o que eu estou tentando dizer(talvez nem eu entenda bem) e se identificasse. É tão bom encontrar alguém passando pelo mesmo que nós, não importa o quão boba seja a situação. Digo isso porque apesar de eu fazer uns posts muito pessoais, já passei pela situação de passar rapidamente por posts parecidos em outros blogs e sentir aquela coisa boa da identificação. Aliás, um desses momentos foi no blog não mais existente da Isa. Caí no blog dela sem querer e mal lembro do que estava escrito, mas eram coisas pessoais sobre escola e família das quais gostei muito de ler, além de me identificar com outras. Meses depois eu fiquei amiga dela e só depois percebi que era a mesma pessoa - lindo momento, pena que o blog não mais exista. Bem, então de um certo modo eu escrevo isto aqui para essas pessoas anônimas que ficam pulando de blog em blog sem nem lembrar qual era o nome do último, mas que guardaram algo de cada um deles em si.

Até mais!

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